O que acontece quando um fã de The Big Bang Theory deve fazer uma resenha crítica para a faculdade? Ele fala da série, é claro! Confira abaixo a resenha do acadêmico da UDESC (e redator do blog), Djonathan Pereira. O trabalho foi apresentado para a disciplina de Análise e Produção Textual do professor Dr. Maiko Rafael Spiess!
Em um período de declínio do conceito de sitcom (séries de humor situacionais, com histórias passadas em ambientes comuns e geralmente gravadas em frente a uma plateia), The Big Bang Theory se mantém como sucesso, sendo o programa roteirizado de maior audiência da televisão americana. A série, criada por Chuck Lorre e Bill Prady, estreou em 2007 pela rede americana CBS, trazendo um novo conceito para as personagens. O slogan “smart is the new sexy” (inteligência é o novo sexy, em tradução livre) introduz bem a ideia de retratar a vida de 4 cientistas com a ênfase na sua normalidade e rotina. Assim, a série traz uma nova visão dos nerds, fazendo escola e se tornando sucesso de crítica, audiência e licenciamento.
Atualmente em sua nona temporada, a série carrega a experiência de um show premiado, aliado a essência da cultura geek que lhe consagrou. Conta com uma média de 20 milhões de espectadores a cada episódio (no Live+7, sistema que considera a audiência ao vivo mais os espectadores dos próximos sete dias que assistirem na integra com comerciais) e paga aos seus protagonistas um milhão de dólares por episódio mais participação em lucros. Esses ingredientes garantem uma estabilidade que possibilita aos roteiristas um desenvolvimento de enredo tranquilo e linear, dando a cada personagem um amadurecimento fiel a realidade e mantendo a regularidade de conteúdo.
O episódio The Line Substitution Solution (A Solução de Substituição da Linha, em tradução livre), vigésimo terceiro da nona temporada da série, exibido originalmente pela CBS em 05 de maio de 2016, relata duas histórias paralelas e dependentes. Primeiramente, a visita de Beverly Hofstadter (Christine Baranski), mãe de Leonard (Johnny Galecki), e a forma que esta influência o comportamento de Penny (Kaley Cuoco); do outro lado, mostra-se a trama de Sheldon (Jim Parsons) que vai com os rapazes ao cinema, contratando Stuart (Kevin Sussman) para ir fazer compras com Amy (Mayim Bialik).
A história se inicia com Leonard anunciando que sua mãe viria a cidade e pedindo que Penny a buscasse no aeroporto, alegando que 45 minutos no carro seriam torturantes com as constantes desaprovações de sua mãe. Leonard demonstra a insegurança que cerca o personagem desde a primeira temporada. É claro que houve certa evolução, mas a constante necessidade de aprovação e a relação mal resolvida com a mãe são constantes nesses nove anos em que a série está no ar.
O outro núcleo se encontra na loja de quadrinhos quando Raj (Kunal Nayyar) comenta sobre uma exibição nos cinemas e convida os amigos para o acompanharem. Mesmo expressando o desejo de acompanhá-los, Sheldon lembra que prometeu acompanhar sua namorada Amy para fazer compras.
Com isso, Leonard comenta sobre pessoas que são pagas para ficar em filas, o que resolveria o problema. A falta de empatia de Sheldon o faz confundir o conselho e o leva a contratar Stuart para levar Amy as compras. Essas atitudes realçam o quão diferente o nerd pode ser e que, apesar de grandes evoluções em seu relacionamento, pequenas atitudes diárias são de difícil assimilação para ele.
Voltando ao plot feminino, Penny busca Bervely no aeroporto, passando o trajeto sendo questionada sobre seu relacionamento e sobre o funcionamento do órgão genital de Leonard. Acentuando sua necessidade de conectividade com a sogra, Penny convida Beverly para uma ‘noite de garotas’ com intuito de criar intimidade entre as duas. De toda forma, buscando evitar momentos constrangedores, chama Amy e Bernadette (Melissa Rauch) para juntarem-se as duas. Fica clara que a má relação entre a família Hofstadter afeta Penny, em sua confiança e em seu casamento; a aprovação da sogra é necessária, principalmente quando a mesma é uma psicóloga que lhe escancara isso.
A ida de Stuart para compras com Amy é frustrada assim que ela descobre o sistema de pagamento que Sheldon armou. Com uma jogada de vingança (e humor), ela paga Stuart para responder o namorado a altura. Assim, ele se dirige ao cinema para gritar com Sheldon. Em mais uma atitude impensada, o nerd recontrata Stuart, dessa vez para levar flores e pedir desculpas a Amy. Ao chegar no apartamento de Penny, onde Amy se encontrava, o contratado é, obviamente, maltratado e mandado embora. O encerramento da trama se dá com Sheldon pagando para que Stuart cuide de seu lugar na fila, o permitindo fazer o pedido de desculpas pessoalmente. Rapidamente atendido e seguindo o protocolo social de desculpas, ele garante o perdão de sua namorada, pois segundo o mesmo: “se você se desculpa com pouca frequência, quando o faz, é prontamente perdoado”. O plot é um tanto arrastado, mas com bons momentos cômicos. Seu encerramento é esperado, garantindo seu papel de complemento e não gerando mudanças significativas a série.
De volta as garotas, vamos uma Penny com dificuldades de se conectar com a sogra. Seu desespero aumenta quando Beverly elogia e debate o relacionamento de Sheldon e Amy, chegando a convidar o casal Shamy (Sheldon + Amy) para uma entrevista destinada ao seu novo livro sobre relacionamentos bem-sucedidos. A tensão atinge seu ápice após Beverly convidar também Bernadette e Howard (Simon Helberg) para a entrevista e dizer que Penny e Leonard não tinham motivos para estarem no livro. Após o clímax, há um discurso de Beverly sobre como ficou ofendida de não ser convida ao casamento do próprio filho e que, apesar de tudo, nunca havia visto Leonard tão feliz. O plot se encerra com Penny realizada, abraçando a mãe de seu marido.
Finalizando o episódio, temos um Sheldon regressando ao seu lugar na fila e se estressando ao ver um homem passar a sua frente (‘furando’). Com seu jeito de ser, vai tirar satisfações com o rapaz, criando uma discussão generalizada no cinema. A história se encerra com Sheldon sendo acusado de trapacear (por pagar alguém para ficar em seu lugar) e se frustrando por não retirar o ‘furador’ dali. As portas do cinema se abrem e todos entram, incluindo um Sheldon decepcionado.
O episódio, no geral, se mostra linear e bem roteirizado. Apesar disso, a sensação é a de que a única história relevante a trama da série foi a de Leonard e Penny, abrindo espaço para uma nova cerimônia de casamento. As demais histórias, apesar de cumprirem o papel de entreter, se mostraram descartáveis no produto final de enredo. A direção, realizada por Anthony Rich, cumpre a etiqueta e segue os padrões do show. O destaque fica para as sempre impressionantes atuações de Jim Parsons e Christine Baranski. Christine, inclusive, deve receber mais uma nomeação ao Emmy de Melhor Atriz Convidada em Série de Comédia (ela já foi indicada pelo mesmo papel em 2009, 2010 e 2015). Assim, The Big Bang Theory entrega mais um bom episódio, característico de meio de temporada e que abre boas possibilidades para o futuro da série.
E aí, conta pra gente, o que você achou do episódio?

2 comentários
Eu adoro a mãe do Leonard, amei ela se acertando com a Penny. Muito boa review :)
ResponderExcluirMuito bom. Só não gostei do Sheldon
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